Nossa igreja aqui em Dili é pequena, mas aconchegante. Mais de 60% da igreja é composta de jovens. Eu sou o pastor dos jovens e, confesso, às vezes me sinto meio perdido em como eu devo conduzir as coisas. As vezes penso que devo tentar agitar as coisas, com musicas bem movimentadas, danças, coreografias, palmas sincronizadas, assim como seria num grupo de jovens ocidental. E aí dirijo um culto bem animado, movimentado, como quem quer dar o exemplo. Mas no próximo culto, quando um jovem da igreja ministra, volta a predominância das musicas mais lentas e líricas. Então, resolvi não imprimir aquilo que acho jovial a partir da perspectiva ocidental, mas sim deixar que os jovens locais sejam eles mesmos.
Fazendo, talvez, um paralelo com o Brasil, a razão de muitos cristãos brasileiros, principalmente os que não nasceram no meio cristão, não apreciarem a música da Harpa, é porque é uma musicalidade importada, trazida pelos missionarios. Na missão, a gente é muito tentado a trazer com a gente o nosso estilo, a nossa maneira, a nossa forma de expressão. O timorense parece ser um povo mais recatado, muito menos expressivo que os brasileiros ou os africanos. Mas a gente pensa no Ocidente que o povo cristão tem que ser animado, cantar musicas alegres, etc. Bom, as dúvidas persistem, mas resolvi deixar que os jovens dirijam e façam do jeito que eles acharem melhor.
Pelos menos conseguimos uma coisa: os jovens falam, dão testemunhos, dirigem os cultos e até pregam, algo que é completamente fora de cogitação no meio evangélico aqui.
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