Hoje é o Domingo da Ressurreição. A ressurreição de Jesus é o fato que torna o Cristianismo singular em relação a todas as demais religiões. Existem no mundo grandes religiões como o Islamismo, o Hinduísmo, o Budismo e muitas outras, mas nenhuma dessas religiões diz que o seu fundador ressuscitou dentre os mortos. Mohamed, o profeta do Islã, não ressuscitou dentre os mortos, Buda também não, Confúcio também não… Só acerca de Jesus se diz que ressusctiou de entre os mortos. Hoje eu quero falar um pouco acerda da ressurreição de Jesus.
Páscoa fala acerca de libertação, e a festa da Páscoa dos judeus era realizada em comemoração à libertação do povo da escravidão do Egito, quando Deus enviou Moisés, castigou o Egito com 10 terríveis pragas e então, humilhado, o Faraó os deixou partir. Mas o fato é que o povo judeu nunca viveu realmente livre e sossegado. Sempre houveram nações que oprimiram os judeus. No tempo dos juízes, eles viviam sempre em aperto com os seus vizinhos, que lhes subjulgavam e lhes roubavam as plantações. Depois veio a Assíria e a Babilônia que os levou cativos. Eles nunca foram realmente um reino respeitado por seus vizinhos, uma nação forte.
Mas os profetas diziam que um dia viria um Rei que os faria uma nação forte e respeitada, um descedente de Davi que reinaria para sempre, e que até governaria todas as nações (Is 9.6; Jr 23.5,6; Mq 5.2-4). Esse era o Messias que eles esperavam. Um Messias Rei, poderoso, majestoso, um líder forte.
Os tempos passaram e muitos vieram declarando serem o Messias. No tempo do Novo Testamento, era o Império Romano que dominava o mundo, inclusive os judeus. Os judeus deviam pagar imposto aos Romanos. Os judeus odiavam isso. Mateus era um cobrador de impostos, e nem é de se admirar como os judeus odiavam os cobradores de impostos. Mas Jesus chamou Mateus para ser um de seus discípulos entre os doze. E uma vez Jesus se hospedou na casa de Zaqueu, que era o chefe dos cobradores de impostos. Tudo isso deixava os judeus nervosos. Como podia Jesus se associar e se relacionar com os que ajudavam Roma a oprimi-los? Os irmãos devem estar lembrados da ocasião em que os fariseus tentaram pegar Jesus numa trama, ao perguntarem se era lícito ou não pagar imposto a César. Tanto negando quanto afirmando, Jesus se comprometia. Se negasse, os sacerdotes podiam denunciá-lo para as autoridades romanas. Se afirmasse, eles o acusariam de ser a favor dos opressores (Luc 20.20-26).
Os judeus, então, nos tempos do Novo Testamento, viviam subjulgados por Roma. Muitos já haviam se levantado, revoltados com essa situação, dizendo serem o libertador prometido. Arrebanhavam então os seu seguidores e lideravam movimentos de revolta para lutar contra Roma. Mas as tropas romanas sempre os abatiam. Era por essa razão que as tropas romanas sempre se faziam presentes nas regiões da Palestina, porque o povo judeu era considerado um povo revoltado. Lembre-se que Jesus curou o filho do centurião de Cafarnaum. Tinha então uma guarnição romana em Cafarnaun, um centúria, ou seja, 100 soldados.
É nessa época que Jesus aparece, tempo em que os judeus estão sedentos por liberdade, cansados de viverem subjulgados, ansiando por um libertador. Mas Jesus não apareceu como um rei, mas sim como um homem simples, filho de um carpinteiro lá da vila de Nazaré. Jesus não correspondia com as expectativas do Messsias prometido no Antigo Testamento, de acordo com a perspectiva dos judeus. Os sacerdotes e líderes judeus não o aceitaram porque Jesus não pareciam em nada com a figura de um rei. Até na sua entrada em Jerusalém, ele foi montando em um jumentinho. Por que não em um bonito cavalo branco? Reis não montam em jumentos, é vergonhoso. Contudo, os discípulos de Jesus, aqueles 12 e alguns poucos mais, acreditavam realmente que Jesus era o Rei prometido. Eles já haviam presenciado muitos milagres, Jesus já havia acalmado tempestades, ressuscitado mortos, multiplicado pães e peixes, transformado água em vinho, curados inúmeros doentes… Para eles, Jesus eram realmente o Messias esperado. Uma vez Jesus perguntou dos próprios discípulos o que eles achavam dele. Vamos conferir a resposta de Pedro (Mt 16.13-16). Eles guardavam a esperança de que um dia Jesus iria se manifestar como Rei poderoso (At 1.6; os 2 discípulos no caminho de Emaus Lc 24.21).
Mas a esperança deles se esvaiu derrepente, ao verem o seu mestre morrer morimbundo, humilhantemente numa cruz. A imagem de Jesus pendurado, corpo dilacerado, ensanguentado, naquela rude cruz, não lhes deixava o menor resquício de esperança. Ele não podia ser o Messias, Ele não podia ser o poderoso rei tão ansiosamente aguardado. Decepcionados, quiseram voltar ao seu antigo ofício de pescador (João 21.2,3). Os discípulos de Emaús voltavam desiludidos para a vila. Muitos outros que se auto-proclamavam messias já haviam aparecido, mas também havia sido apagados. Com Jesus não seria diferente. Os discípulos estavam totalmente desesperançosos.
Mas o fato é que a história não acaba aqui. A história não acaba ali naquela humilhante cruz. Jesus haveria de ressurgir triunfante, vitorioso sobre a morte. No domingo pela manhã cedo, Maria Madalena e outra Maria foram ao sepulcro. Mas ele já não estava lá. Os discípulos demoraram para acreditar. Depois de ressurreto, Jesus precisou provar para eles que ele havia realmente ressuscitado, e até comeu com eles. Então, já sem a menor dúvida, aqueles homens saíram destemidos a proclamar a ressurreição de Jesus, até ao ponto de darem a sua vida.
Meus irmãos, esse é o Jesus que nós servimos. O Jesus que derrotou a morte. Homens importantes se levantam neste mundo, grandes nomes da ciência, da filosofia, da política. Grandes conquistadores, grandes reis, grandes presidentes. Mas não demora e vem a morte e derrepente os restos mortais do poderoso jazem fétidos numa sepultura sob a terra. Isso aconteceu com Mohamed, com Buda, com Confúcio, com Platão, com Sócrates, com Napoleão Bonaparte, com Leonardo da Vince. Nenhum deles se livrou da morte. Mas você não encontrará em lugar nenhum os restos mortais do Carpinteiro de Nazaré.
O que a ressurreição de Jesus significa (1 Co 15.3-20)
1. Significa a derrota da morte
2. Significa o renascer da esperança (1 Co 15.18-19)
3. É a garantia da nossa ressurreição (1 Co 6.14)
Conclusão
Todos temem a morte. Mas a boa nova é que este terrível inimigo já está vencido pelo Cristo ressurreto, e agora podemos crer no amanhã. Aleluia!!! Vamos cantar “Porque ele vive”.
Pr. Elienae Moura
Sermão pregado em Dili, Timor Leste
Domingo de Páscoa, 2009
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