Por causa do poderio católico aqui no Timor Leste, o trabalho social dos missionários protestantes é muito pouco reconhecido, para não dizer ignorado, ou muitas vezes até criticado com acusações de que é feito com segundas intenções. Recentemente, por ocasião do aniversário de nove anos da independência do Timor Leste, o governo fez várias homenagens aos que trabalham pelo desenvolvimento do povo timorense. Apesar do significativo trabalho social missionário, nem sequer houve menção. Não que a gente esteja a procura de reconhecimento do governo. O simples fato de vermos in loco os frutos do nosso trabalho, já é razão de satisfação. Mas sabemos que a nossa recompensa maior está nos céus.
A foto acima é de um bilhete escrito por uma jovem de 20 anos que trabalha conosco aqui em casa. Há menos de uma ano ela não sabia nem ler nem escrever. Mas matriculou-se em um curso de alfabetização no Centro Vida Mais, dirigido por um missionário brasileiro colega nosso, da igreja Batista. Eis o resultado. Vou traduzir o bilhete, que é endereçado a minha esposa:
Mana, amanhã eu não virei (trabalhar) porque eu vou para Ataúro (a ilha em frente a Dili). Hoje eu cozinhei apenas, porque precisei ir comprar as coisas que vou levar amanhã.
Mana, este dinheiro aqui é meu dízimo. De Iza.
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