sexta-feira, 6 de julho de 2012

UMA CRÔNICA MISSIONÁRIA

A comunidade de Laga enfrentava uma seca intrigante. A estação das chuvas já havia começado, todas as outras comunidades ao redor já tinham seu solo regado pelas já frequentes chuvas, mas algo parecia ter decidido castigar os agricultores de Laga. Nesta mesma comunidade um missionário brasileiro amigo nosso trabalhava diligentemente na construção de um templo, sendo ajudado por um obreiro local. Os dois sozinhos, mãos firmes no trabalho, a construção avançava a todo vapor. Afinal a ausência das chuvas favorecia a obra. Foi então que a comunidade arranjou uma explicação razoável para a seca misteriosa: o missionário estrangeiro e a nova igreja protestante em construção.
Uma decisão radical foi tomada pela comunidade, que o missionário ficou sabendo por meio de uma carta anônima lançada para dentro de sua casa, à noite, por debaixo da porta. Se, em um prazo de 24 horas, as chuvas não molhassem o solo de Laga, o missionário iria pagar com a sua própria vida. Na manhã seguinte o missionário acorda e, como de costume, se prepara para mais um dia de trabalhos intensos na construção, nem sequer imaginando o que a comunidade tinha decidido acerca de sua vida. Foi então que a carta sorrateira revelou a séria ameaça, para o desespero do missionário. E agora, o que fazer? Por um momento a fé se esvai e o desespero toma conta. Porém, após uma breve oração, um renovo vindo do céu revigora o nosso missionário. Ele então decide ir ao trabalho como todos os dias, como se nada houvesse acontecido. Mas, durante todo aquele longo dia, enquanto as mãos incansáveis do pastor faziam o trabalho, seus pensamentos não se desligavam do Senhor, em oração constante. Lá pelo meio da tarde o céu de Laga começa a enegrecer, e o pastor se regozija no Espírito: "Deus é fiel!". Ele então sobe para trabalhar na parte superior da construção. De lá ele avista a chuva, que avança violentamente em direção à Laga há alguns kilômetros de distância. No entanto, por alguma razão inexplicável, a chava estaciona há aproximadamente 1 kilômetro da vila. - "Meu Deus, por quê? Minha vida está realmente em perigo agora", se desespera o missionário. O dia termina, ele volta prá casa, desesperançoso. Estaria o Senhor testando a sua fé?
Os céus continuavam enegrecidos naquele início de noite. Mas do que adiantava, se a água não caia! O missionário e seu obreiro continuaram em oração constante em espírito. Deus tinha que fazer alguma coisa, pensavam eles, pois, como servos de Deus naquele lugar, eles não deveriam ser envergonhados. Derrepente, já noite adentro, um vento tímido, mas constante, começa a soprar. Mas o que era tímido tornou-se violento em poucos minutos, e uma verdadeira tempestade cai pesadamente sobre Laga, há exatas 24 horas depois que a carta foi lançada para dentro da casa do missionário na noite anterior. A vila testemunhava a fidelidade de Deus para com o seu servo. A partir de então, todos naquela comunidade passaram a ver o missionário não mais como um estrangeiro trazendo religião e costumes diferentes para o povo timorense, mas como um servo do verdadeiro Deus e pregador da verdade. As portas para o evangelho naquela comunidade estavam agora definitivamente abertas. Deus tem seus meios criativos de agir!
Hoje a igreja está lá, uma congregação da Assembléia de Deus bem estabelecida na comunidade de Laga, Distrito de Baucau, Timor Leste.
O nome do missionário é Darlison, hoje pastor de uma congregação da Assembléia de Deus em Manaus.

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