terça-feira, 16 de julho de 2013

Crônica de uma viagem missionaria

Estavamos em uma viagem, de carro, eu e uma família de obreiros, o Franciso, sua esposa Nina, e o filhinho deles de nove meses Joel. Eu estava os conduzindo, com toda a mudança, para a cidade de Maliana, onde eles assumiriam a igreja em troca do pastor Joaquim. Era um sabado, pois no culto do domingo seguinte eu os deveria apresentar à igreja como os novos responsáveis por aquela congregação. No entanto, Deus tinha reservado para nós algumas experiências no caminho. Após poucos mais de duas horas de viagem, derrepente o carro morre. Ainda faltavam mais duas horas para chegarmos ao nosso destino. A manutenção do carro estava em dia, pelo menos eu achava, então eu imaginei que não seria um grande problema. Trabalhamos das 6 às 9 da noite, na beira da estrada, com um mecanico que arranjamos na comunidade mais próxima, há 10 km, e nada de o carro funcionar. Fiquemos sabendo no outro dia que uma correia pequena que precisa ser trocada a cada dois anos, havia arrebentado. Foi a causa do transtorno. Não teve jeito. Tivemos que nos arranjar naquela noite por ali mesmo naquela aldeia. Graças a Deus que o nosso carro parou justamente na frente da casa de uma familia caridosa, onde passamos a noite. Eles não tinham nada para nos oferecer para jantar. Felizmente eu havia trazido uns pães, alguns ovos, cafe, e alguns pedaços de frango frito. A familia forneceu o arroz e então tivemos um jantar alegre. Conversamos até perto das 11 da noite, em cuja ocasião eu fiquei sabendo de algo curioso. Como aquela comunidade fica perto da fronteira, muitos jovens daquela aldeia vão procurar esposa do outro lado, na Indonesia, onde o dote é muito mais barato. As mulheres timorenses são muito caras, além das condições das familias para pagar. Então, não resta alternativa. Sete familias ja foram formadas assim, e o jovem que conversava conosco tambem já estava dando os passos necessarios para encontrar a sua mulher no lado Indonesio da ilha. De maneira simples, contamos testemunhos a fim de deixar naquela casa uma semente plantada, depois oramos pela familia. Ofereceram-me uma cama um tanto curta para dormir. Eu tinha de me encolher. Mas apesar da dor de cabeça, pude descansar. Cedo no domingo seguinte seguimos viagem em uma "angguna", uma camionete grande usada como transporte publico aqui. Chegamos em Maliana pouco depois das 9, devido as terriveis condições da estrada. Ali participamos do culto e impossamos o novo pastor. Mas o sofrimento maior estava mesmo reservado para a viagem de volta. Vim de moto, na garupa do pastor Joaquim. Foi uma experiencia dolorosa. O Joaquim parecia não enchergar os imensos buracos na estrada, e simplesmente passava acelerado. Eu me segurava como podia, me protegia como podia. A cada buraco, que não são poucos nas estradas timorenses, a minha cabeça dava pontadas de dor. Quando eu não aguentava mais, pedia para ele parar um pouco. Finalmente chegamos em Dili, inteiros, para o meu alivio. Na segunda-feira trouxemos um mecanico da capital, que trabalhou toda a tarde ate a madrugada, e nada de resolver o problema. Tive que dormir mais uma noite na aldeia, dessa vez com muito menos conforto, visto que eu não havia me preparado. O frio intenso me impediu de pegar no sono, nenhum lençol, nenhuma jacketa... Na terça-feira foi necessario contratar um carro com guincho para levar o nosso toyota para uma oficina em Dili. Finamente, 5 e meia da tarde de terça chegamos a Dili, para o meu enorme alívio.Mais aprendi a lição: nunca mais vou deixar a dita correia passar do tempo da troca.
De qualquer modo, estou certo de que Deus tem seus planos em todas as coisas. Não foi sem propósito a nossa parada ali naquela casa. Deus tambem me ensinou algumas preciosas lições.
Abaixo, fotos dessa experiência, e da congregação de Maliana.












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